#CADEAKIKA! Você deve ter visto essa
tag por aí, não é mesmo? Marketing bem legal da Faro Editorial para o lançamento do novo livro do
Victor Bonini.
Em março de 2012,
Francisca Silveira do Carmo, ou simplesmente
Kika, desapareceu durante uma excursão realizada pela escola onde estudava, em
Guarulhos. Kika não era uma adolescente muito sociável e/ou amigável. Sua amizade voltava-se aos rapazes, enquanto com as meninas, vivia em pé-de-guerra, com
bullying e até violência física. Sua única amiga era
Elaine Campos, uma das poucas que compreendia partes da problemática personalidade da menina. E Elaine, foi a última a vê-la naquele dia.
Dois anos antes do desaparecimento, Kika se tornou uma sobrevivente. Reunida com seus colegas de classe, a jovem foi atacada por um grupo de adolescentes. A garota chegou a ficar entre a vida e a morte, desfigurada. Logo descobrimos que uma das pessoas envolvidas no ataque pertence ao passado de Kika, de sua antiga escola. Apenas
um, de vários suspeitos que vão surgindo ao longo da narrativa.
#CADEAKIKA?
Entregar a notícia a mãe não seria nada fácil. E ao notar os alunos descendo do ônibus, parece que
dona Maria João já havia previsto toda dor e ansiedade que lhe aguardariam nos próximos dias... semanas... meses. Sua amada filha tinha desaparecido. Parte do que ainda resta de sua confiança é entregue ao delegado Lauro, que precisa enfrentar toda pressão interna e externa para que o caso seja concluído o mais rápido o possível. Mas, não é bem assim que as coisas andam.
O
doutor Lauro não imaginava que o desaparecimento de Kika lhe traria mais suspeitos do que pistas para solucionar seu paradeiro. A vida da garota era repleta de segredos, surpreendendo até a mãe no decorrer dos depoimentos. E ao investigar pessoas ligadas ao caso -
há algumas figuras importantes - acaba por revisitar alguns passados sombrios, dignos de julgamentos. Ainda não há sinal de Kika, mas o julgamento já se inicia, pelo público.
Paralelamente, há uma narrativa denominada "
DEPOIS", que nos traz páginas acinzentadas com uma bela interação entre a mãe de Kika e o
detetive Conrado Bardelli. Esta conversa acrescenta ainda mais a investigação, mostrando as fortes opiniões da mãe, também muito emotivas. Vemos como é a filha aos olhos dela, mesmo diante de tantas revelações. O detetive, aliás, relata partes do caso para
a narradora, uma aluna que estava presente no dia do desaparecimento de Kika, e que nos dias atuais está documentando todo o caso, formando o retrato de um verdadeiro psicopata.
"Eu só acho que ninguém entende o que ela sente, por isso a sensação de ela ser estranha [...] Aquele Miss Guarulhos Juvenil é um castigo na vida dela. Na sala, é um absurdo o que ela tem que enfrentar. E ela aguenta tudo quieta. Meu medo é isso explodir."
Kika é uma personagem intrigante. Simplesmente por não ser o tipo de garota perfeita, apesar de ser
taxada como tal. Há quem diga que ela é perseguida pelas amigas de classe por causa de sua beleza. Ela chegou a ser eleita
Miss Guarulhos, o que claro, pode ter incomodado algumas. Faz muito sucesso entre os rapazes, causando
certa inveja. Um deles praticamente rasteja aos seus pés. Para outras, Kika é uma perca de tempo; uma pecadora.
A narradora foi uma das poucas a ser tocada pelo seu desaparecimento. Alguns achavam que ela merecia.
Pelo fato de carregar um estilo reportagem, a narrativa de
Victor Bonini é de um tom muito realista. Uma escrita envolvente e muito consistente com o assunto que se propõe. Sua narrativa expõe grande pesquisa e nos apresenta os fatos com maestria. Amantes do gênero vão se deliciar com a construção de Bonini. Foi minha primeira experiência com o autor e fiquei surpresa, com a maneira como toda investigação foi conduzida mais as revelações e as ótimas reviravoltas.
Sério! Vocês sabem que eu sempre fuço as páginas finais, então, me confundi em duas respostas e fui enganada, né?
A edição está maravilhosa
A lista de suspeitos nos tráz personagens interessantes. Fiquei bem curiosa para conhecer os outros livros que contam com a participação do detetive Bardelli. Adorei a forma como manuseou suas conclusões. Kika não é a única "vítima" desta história. O caso não só envolve o possível sequestro dela, mas também ocasiona em dois assassinatos ao longo da investigação. Além de acusações à pessoas inocentes e destruição das imagens das mesmas. E fatos assim nos fazem relacionar a casos reais
bem parecidos, não é?
E preciso mencionar uma personagem que me divertiu,
Pamela. Por causa de grandes revelações, não posso explorar muito sobre a moça. Mas seus depoimentos me tiraram risos. E acredito que tenha deixado o cenário mais familiar, pois conheci umas pessoas parecidas com ela na época escolar.
Ha! E na minha época escolar rolava muita
treta também, entre moças de outras escolas contra as da minha. Tipo, porrada mesmo.
Conforme as páginas avançam, e descobrimos mais e mais segredos sobre a protagonista, nossas emoções também são colocadas em jogo.
Será que também começaremos a julgá-la? Ou a crucificar inocentes?
"A polícia tem lista de suspeitos, parabéns. Mas suspeitos de que mesmo? Alguém esqueceu que a investigação é pra encontrar uma menina?"
Certamente,
Quando Ela Desaparecer não é um policial comum. Não espere um final
100% feliz nesta história, aliás as partes finais nos deixam pasmos com tamanha ardileza. O autor encerra os capítulos com ótimos ganchos. Impossível não ficar curioso, né? Acabei por virar a noite.
Ha! Em pensar, que ao notar a montagem do livro, eu cogitei que o autor não fosse entregar um culpado. Entrega sim. E aqui também tem o lance do xadrez, similar ao
Não Confie em Ninguém de
Charlie Donlea. Mas, não entrarei em detalhes por causa de
spoilers.
E que edição incrível. Me senti lendo um dossiê. Quem conhece as localidades mencionadas certamente vai apreciar todo cuidado do autor e da editora em apresentá-los. Há imagens para acrescentar às informações, deixando o leitor ainda mais familiarizado com os passos de Kika e dos coadjuvantes. Acho muito legal quando as redes acompanham a narrativa, e por aqui há imagens de interações, e também, recortes de jornais.
Oficialmente obcecada pela troca de cores das páginas nos livros da Faro
Há páginas cinzas e pretas.
As cinzas exploram momentos antes da conclusão do caso da Kika, uma longa conversa entre o detetive Conrado e a mãe dela. Já
as pretas, relatam o misterioso caso de dois anos antes ao desaparecimento da protagonista. Mais uma excelente publicação do gênero pela
Faro Editorial, com uma ótima revisão e arte. A capa é bem atrativa; título amarelo está em relevo.
"Ela não ia fugir de mim daquele jeito... Sair com aquele filhinho de papai e achar que ia me deixar pra trás, me humilhar, como se eu fosse o papel higiênico que ela limpou o cu e deixou pra trás? Ela com aquela cara de filha da puta que eu queria tanto meter uma bica..."
Ah, não vejo afirmações dos três livros formarem a tal série mencionada na ficha abaixo. Só quis deixar organizado, a quem interessar, para eventuais dúvidas sobre as participações do
detetive Conrado Bardelli em outras publicações do autor. As leituras podem ser soltas, pois são casos diferentes.
Autor: Victor Bonini
Origem: Literatura Brasileira
Editora: Faro Editorial
ISBN: 9788595810587
Publicação: 2019
Páginas: 272
Série: Detetive Conrado Bardelli
#1: Colega de Quarto
#2: O Casamento
#3: Quando Ela Desaparecer
O Que Tem?: Psycho, Mistério, #CadeAKika