Paul (Joel Edgerton) mora com sua esposa e o filho numa casa solitária e misteriosa, mas segura, até que chega uma família desesperada procurando refúgio. Aos poucos a paranoia e desconfiança vão aumentando e Paul vai fazer de tudo para proteger sua família contra algo que vem aterrorizando todos.
Mas gente, não é que terror psicológico tá na moda mesmo? Podem ser um mais doido que o outro, mas temos mais um com o alerta que, seres humanos, conseguem ser piores do que qualquer ameaça sobrenatural, vishe maria...
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Com uma trama pós-apocalíptica, Ao Cair da Noite nos apresenta à família de Paul, Joel Edgerton - um Ramsés melhor do que da Record, que moram isolados no fundo de uma floresta e tentam se proteger de uma misteriosa epidemia. O primeiro a ser atingindo na casa é seu sogro e eles o matam e queimam o corpo. Após a partida do avô, Travis, Kelvin Harrison Jr. da série Shots Fired, fica com o cachorro dele e sim, creio que desde as suas primeiras cenas - incluindo os pesadelos com o avô - o roteiro nos dá as peças para concluir os momentos finais e talvez seja a única ajuda que você tenha.
Na noite seguinte, alguém invade a casa e esse fato expõe bastante da personalidade Paul. O nível de preocupação com a família o torna muitas vezes frio. Tem coisas que ele faz, que nem considera. Como no caso, seu primeiro contato com o invasor Will, Christopher Abbott da série The Sinner - não é o Jon Snow, que explica que não tinha conhecimento de que a casa estaria ocupada. Ele estava atrás de mantimentos para sua esposa e filho. Para provar sua bondade, Will chega oferecer a Paul, parte do que tem. Então, após sua esposa Sarah, Carmen Ejogo de Animais Fantásticos e Onde Habitam, sugerir que a família de Will venha morar com eles - e assim evitar que mais gente descubra a residência/mantendo os inimigos perto... - Paul decide buscá-los e logo, os põe a par das regras de convivência. Uma delas é manter a porta - vermelha - da entrada, sempre fechada. Paz selada? Nope! É claro que dá treta porque alguém resolve abrir essa budega.
Durante quarenta minutos, o diretor e roteirista deste mistério Trey Edward Shults, de Krisha, constrói uma certa harmonia que precisa ser dividida. No início foi difícil, no meio um quem sabe, no fim uma bagunça. Depois dos quarentas minutos, a coisa fica louca. O ar de desconfiança que predomina, às vezes chega a ficar pesado. Mas, será que estamos desconfiando da pessoa certa? Cada pessoa tem um organismo diferente, o que me leva a crer que a suposta doença se desenvolveria de uma forma diferente. Primeiro vemos um idoso falecer, daí permancem na trama alguns adultos (dois homens e duas mulheres), um adolescente, uma criança e um cachorro (que pertencia ao idoso que está doente no início do filme, em algumas interações do Travis com ele, o roteiro deixa claro.). Contudo, não criem expectativas para ter respostas a cada minuto. A aposta de desenvolvimento aqui é a convivência em meio a um certo caos e é como se qualquer questão do que é a epidemia não importasse. A gente fica ciente de que ela é perigosa e está lá fora, é o suficiente. Trey quer que você faça parte da família e interprete. Afinal, ele deixa um final aberto para você decidir. No meu caso, acho que os que sobram - sem spoiler - se matam porque estavam infectados. Vi uns usuários na Letterboxd com a mesma dedução.

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Não há aqueles momentos assustadores memoráveis típicos do gênero. As decisões envolvendo exclusão e morte, são o que me assustaram. Como matam uma pessoa inocente, com uma facilidade, sem nem considerar as outras opiniões? É algo que me soou muito real, se caso ocorresse uma situação parecida. O desespero leva as pessoas à loucura, né? Um fato que me deixou bastante irritada, foi Paul não deixar a família do Will ir embora. As ações do ser humano, são que realmente assustam aqui, tenham certeza.
O filme é visualmente bonito, com uma boa direção, a trilha sonora dá uns nervosoum - instrumental por Brian McOmber - e fotografia de tom obscuro, as cenas da noite são minhas favoritas. As atuações entregam o exagero nos momentos certos. Joel Edgerton, que já puxei saco lá em cima, é um dos meus atores queridinhos do momento. A presença dele é muito forte no filme e junto com o rapaz que interpreta seu filho, acrescenta ainda mais à história. Mas, a atriz que interpreta sua esposa é a única que acaba apagadinha por algum motivo. Até Kim - a esposa do Will -, interpretada por Riley Keough da série The Girlfriend Experience, tem momentos de certo destaque, mas Sarah fica devendo.
Tão lindo todo mundo amiguinho e reuinido...
Ao Cair da Noite é uma trama cheia de altos e baixos, mas que os críticos lá fora por algum motivo amaram e eu ansiei por esse momento que não veio, apesar de simpatizar com algumas coisitas. Porém, eles também amaram Atividade Paranormal que eu já tentei assistir cinco vezes e dormi em todas. ANYWAY...
Uma coisa que aprendi assistindo
O Sexto Sentido, é sobre a cor vermelha. É meio que a cor das pistas/respostas. E aqui ela está na porta, o que soa como:
PROIBIDA A ENTRADA. Foi outro ponto que curti.
#TOCANDOTERROR é um projeto que estamos fazendo em parceria com o blog
Caverna Literária, onde iremos comentar alguns de filmes do gênero. Para conferir as opiniões da Carol, é só acessar o Caverna.
Título Original: It Comes at Night
Nacionalidade: Americana
Direção: Trey Edward Shults
Roteiro: Trey Edward Shults
Roteiro Adaptado?: Não
Ano: 2017
Censura: 14 anos
Duração: 1h30min
O Que Assistirei?: Suspense/Terror Psicológico, Violência
Elenco Principal: Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Riley Keough, Kelvin Harrison Jr.,
entre outros.