Pertencente à alta aristocracia brasileira do século XIX, Maria Luísa é uma mulher à frente do seu tempo. Uma jovem decidida a assumir o controle do seu próprio destino, mas ainda pressionada pelas convenções de sua época. Quando conhece o Tenente Martim Afonso Almeida, inicia uma história de amor em meio a Guerra do Paraguai. Convencionada a se casar com o Duque de Westminster, ela acaba por aceitar o matrimônio após um mal entendido. Mas quando descobre a verdade, acaba dividida entre o dever com a família e os impulsos do coração. A jovem herdeira acaba por ser confrontada com a necessidade de fazer uma escolha decisiva, que mudará não só a sua vida, como também a de todos que a cercam. A partir desta escolha, Maria Luísa inicia um caminho sem volta para o mundo cruel, que até então não conhecia.
A narrativa de
A Herdeira inicia em 1864, com uma ainda jovem
Maria Luísa se preparando para iniciar a prática da enfermagem na
Santa Casa da Misericórdia, no
Rio de Janeiro. Ela estudou por algum tempo em
Londres, obteve certo conhecimento e anseia por praticar. Mas seu pai, o Marquês de Resende, não está de todo acordo com as decisões da filha. Sua felicidade estaria completa se Maria Luísa aceitasse se casar com um dos primos propostos, e assim honrar o nome da família.
O marquês não é de toda doçura. Um homem que se orgulha de suas posses, nome e se mantém escravagista. Por outro lado, Maria Luísa preserva sua personalidade oposta do pai. Então, não é de se estranhar que ela acabe se apaixonando por um dos pacientes, o Tenente
Martim Afonso Almeida. A primeira parte se passa durante
Guerra do Paraguai, e Martim não pensa em desistir tão cedo do confronto. Nem mesmo após se recuperar. O tenente é tudo que o marquês abomina, e jamais permitiria que a filha se casasse com um militar cheio dos ideais, inclusive abolicionista.
Após um mal entendido, Maria Luísa se vê obrigada a esquecer seus sentimentos por Martim. O marquês está em festa, pois finalmente poderá casar a filha com um ótimo partido.
William,
Duque de Westminster, se encanta por Maria Luísa assim que se conhecessem. Porém, mal sabe o quanto será difícil conquistar o amor da jovem, que o trará várias provações durante os anos.
Impulsiva, com sentimentos cada vez mais aflorados pelo tenente, Maria Luísa não mede as consequências de seus atos - e nem o limite da paciência de seu marido -, e acaba exilada do Brasil por algum tempo. Seu destino é a
África, onde acaba por se redescobrir. Durante a viagem tentam assassiná-la, gerando o grande mistério deste romance. Sua suspeita é óbvia: o duque, seu marido. Porém, com passar dos anos, o inglês continua negando, e pior: reforça e dá provações de seu amor cada vez mais.
Com a reaproximação do duque e conhecendo melhor a personalidade de seu grande amor, Maria Luísa começa a enxergar as máscaras caindo em sua volta. Decepções de quem ela menos esperava, nos guiando para uma surpreendente escolha em seu final feliz.
" - Pense pelo lado positivo, querida - a mãe recomendou, de maneira incisiva. - O seu pai poderia ter levado adiante a ideia de casá-la com um de seus sobrinhos, os mais ricos fazendeiros do Vale do Paraíba, bem mais velhos do que você e com uma barriga proeminente, feições e modos rudes, além do bigode farto."
Fiquei muito feliz com a oportunidade de ler esse
e-book. Dizer para vocês que eu não era boa aluna em História, então sempre fico surpresa ao me ver interessada em romances desse estilo.
Hal! A Herdeira foi uma deles, e amei me encontrar presa na escrita de
Mariana Ribeiro. Ah sim, estamos falando de um romance histórico, que se diferem dos de época por inserir e focar nos eventos da época em que se passam. Aqui a narrativa inicia durante a Guerra do Paraguai e segue até o fim da
Monarquia. E a autora conseguiu fazer isso de forma incrível, tornando a História parte dos personagens e seus atos. E tudo isso nacional, gente!!!
Um dos pontos marcantes é o desenvolvimento da maturidade de Maria Luísa. Ela, que conhecemos ainda jovem, passa por tanta coisa após se envolver com o Tenente Martim, que os anos só testam seus atos. Nenhum dos personagens deste romance são perfeitos, todos acertam e erram. Mas, a protagonista se destaca por escolhas que nos surpreendem, e isso vale para sua escolha final. De fato, meu momento favorito foi sua passagem pela África, quando obteve liderança e o leitor pode explorar ainda mais de sua personalidade. E essa parte da narrativa, nos trás cenas tensas, repletas de mistério e ação. Maria Luísa é uma personagem nutrida de empatia, numa época repleta de preconceitos.
Como mencionado, não há personagens perfeitos. Principalmente os dois rapazes protagonistas, que assistimos suas personalidades transformarem no decorrer da leitura. Em relação a Martim, foi o que me surpreendeu, pelo fato dos fatos históricos ajudarem bastante em sua transformação, caminhando junto com ele no decorrer dos anos. Por outro lado, o duque começa meio irritadiço, mas quando sente o amor escapar de suas mãos decide mudar, se desculpar e tentar salvar seu casamento. Mas, Maria Luísa se mantém fiel aos seus sentimentos pelo tenente.
"É natural que o homem cometa adultério e mantenha uma concubina, mas se ao contrário, é a mulher quem comete esse crime, trata-se de algo inaceitável qualquer que tenha sido o motivo."
Há reviravoltas até o fim, adicionando a escolha da protagonista. Às vezes amar não é suficiente, principalmente se falta a mesma sintonia, a reciprocidade; apenas um lado se estende, se sacrifica. Carregamos amores pela vida inteira, mas apreciamos ficar aonde nos sentimos felizes. Apreciei sua escolha, pois foi muito perceptível e crível o oscilar de seus dois amores.
Além do crescimento da protagonista, segredos familiares e amores, uma outra parte interessante é seu pai, o marquês. É um homem odioso, mas sua trajetória é interessante. Ainda mais pelo seu final e o destino de seu império.
Ainda a mencionar, apreciei muito o fato de
Mariana inserir algumas figuras histórias na narrativa, interagindo de alguma forma com os personagens. Assim como alguns cenários no
Rio de Janeiro, que me senti fazendo um passeio no tempo, pelo Centro, com outro olhar de lugares que conheço. Ha! Certamente foi uma experiência maravilhosa de leitura.
"A riqueza se concentra na mão dos brancos e não será o fim da escravidão no Brasil que mudará esse cenário de desigualdade."
A Herdeira é uma ótima dica para os que amam romance do estilo. Um enredo cheio de surpresas, como parte da história do Brasil como cenário. Há foco no romances sim, mas
Mariana nos trás ótimos momentos, deixando sua protagonista tomando atitudes, resolvendo negócios e comandando parte de seu futuro. Uma escrita informativa, bem descritiva da época e fluída. É um livro longo sim, mas gostoso de acompanhar, apesar de alguns personagens testarem nossos sentimentos positivos.
A edição do
e-book está muito bonita. Adorei a diagramação, dá gosto pegar
e-books na Amazon que o autor se preocupa além da escrita. A capa atrativa, adorei o vestido da modelo, e claro, a fonte usada.
Autor: Mariana Ribeiro
Origem: Literatura Brasileira
Editora: Amazon
ISBN: B07GZCQHT8
Publicação: 2018
Páginas: 542
Série: Não
O Que Tem?: Histórico, Monarquia, Guerra do Paraguai