Livro: O Diário de Jack, o Estripador - Shirley Harrison #TOCANDOTERROR

Estou com medo de olhar tudo o que escrevi. Talvez fosse mais sensato destruir isto, mas em meu coração não consigo me obrigar a fazê-lo. Já tentei uma vez, mas como o covarde que sou, não consegui. Talvez em minha mente atormentada eu deseje que alguém leia isto e entenda que o homem que me tornei não era o homem que um dia fui. Descubra o que está por trás do polêmico diário atribuído a Jack, o Estripador, um dos mais cruéis psicopatas da História.
Pois é, esse livro é não-ficção e mesmo James Maybrick sendo o Estripador, ou não, é praticamente uma biografia.

Todo o horror em volta do famoso serial killer, Jack, o Estripador, permanece nas bocas londrinas até os dias atuais. Isso porque volta e meia surgem teorias de quem poderia ter sido a figura, que assassinava prostitutas de forma horripilante, durante a Era vitoriana. A última saiu em 2017, mas não vamos falar nela agora.
Até hoje não se sabe a real identidade do assassino e este livro tenta nos provar, de todas as maneiras - incluindo até mapa astral -, de que James Maybrick agia em Whitechapel durante o período de 1888 à 1889. O diário em questão foi encontrado em sua casa e chegou as mãos de Robert Smith em 1992. Então ele procurou a agente literária da autora Shirley Harrison e começaram a trabalhar no desenvolvimento, pesquisando e reunindo opiniões a favor. O prefácio e a introdução expõem parte do trabalho editorial para tornar a narrativa verossímel.
James Maybrick vivia em Liverpool e trabalhava com o comércio de algodão. Sua morte foi em 1889, ocasionando a prisão de sua esposa Florence, acusada de envenená-lo. A mulher foi acusada de envenenar um homem que era viciado em arsênico! Apesar de casado, não era segredo que James vivia traindo sua esposa com prostitutas. Assim como nos dias atuais, o adultério era um ato infernal se fosse da parte da mulher e lindíssimo arrasou tudo da parte do homem. E isso pesou muito na condenação de Florence. O diário relata que Maybrick descobrira que a esposa estava se envolvendo com um amigo de família e que isso pode ter ocasionado sua raiva mais a punição. Puta e cadela são as duas palavras mais presentes em seu diário.
Falso ou não, o diário traz certa compatibilidade envolvendo todas as cinco vítimas confirmadas do Estripador. Até mais ou menos a página 100, a autora narra todas as mortes e quem eram suas vítimas. As descrições são pesadas, não amaciam em nada do que o assassino fazia. Para alguns é meio difícil de digerir, mas acaba por movimentar a leitura. O assassinato de sua última vítima, Mary Kelly, acaba por ser o mais aterrorizante e ainda tem imagens online (e no livro também - em p&b). É uma das vítimas que desperta maior curiosidade das pessoas; não sobrou nada da menina. O coração dela nunca foi encontrado.
Como mencionado, o foco das vítimas segue por 100 páginas. O livro tem 500 páginas, com uma montagem interessante, mas que não se sustenta. Durante 300 páginas, a autora nos apresenta a vida, assassinatos e a morte de James Maybrick, com ajuda de passagens do diário e ela disserta em cima. Nessas 300 páginas, após a morte de Maybrick até a prisão de Florence e futuro das crianças, ainda se demonstra atrativa, depois é encheção de linguiça pura e o leitor sente que a leitura se repete. O que demonstra que o livro deveria ser bem menor. Após essas 300 páginas, temos o diário traduzido na íntegra, acompanhado de imagens da caligrafia e língua original. E nas páginas finais, temos ilustrações, mapas e uma tabela das vítimas.
"Quando eu terminar minhas ações demoníacas, o próprio diabo irá me congratular."
O Diário de Jack, o Estripador é uma coisa meio Mindhunter, por dentro da mente de um possível serial killer, mas infelizmente, não é tão vibrante quanto. O tanto que a autora força para comprovar a veracidade do arquivo, torna sua escrita desinteressante em alguns momentos e a leitura maçante. Sabe quando um assunto acaba e mesmo assim você não resiste e empurra a conversa? É o que acontece por aqui, quando James e Florence não são o foco. Shirley Harrison abusa de todos os meios para forçar que o diário não é uma fraude.
Com a publicação do livro, alguns fãs do caso criticaram a autora em fóruns na internet, zombando de que seria impossível o próprio assassino ter relatado aquelas coisas e alguns pontos de sua construção. Estamos falando das mesmas pessoas que têm teorias sobre o autor Lewis Carroll também ser Jack, o Estripador. Em 2017, um grupo de estudiosos declarou que existem condições, para em breve, comprovar a veracidade do diário. Você pode ler mais sobre clicando aqui.
E como o povo não perde tempo, já foi lançada mais uma teoria: o irmão de James, o compositor Michael Maybrick, teria forjado tudo e seria o verdadeiro Jack, O Estripador. Eu simplesmente AMEI essa teoria e pra mim fez MUITO sentido após fazer a leitura deste livro. Uma coisa é certa: a prisão da Florence foi muito bem planejada. Não achei o diário falso, apesar de não ser 100% comprovado que a caligrafia era do James, mas as partes finais me soaram como uma armadilha, sabe? Depois que Florence foi presa, Michael se livrou de tudo da casa e praticamente deu os sobrinhos para estranhos cuidarem. E sinceramente, tem várias outras migalhas no livro, que parando para refletir, apontam pra ele.
A figura de Jack, o Estripador acabou por originar vários serial killers, seja no mundo da literatura ou cinematográfico. E talvez seja a grande influência em cima dos slashers e o tom misógino que alguns deles possuem.
A edição está muito bacana. Gostei da capa que super lembra um diário antigo. A fonte está bem confortável, em vista que alguns gigantes usam menores. As páginas finais com as ilustrações são um prato cheio. A revisão é interessante, pois mantém o trabalho no diário, até com os erros do assassino. Só me incomodou um pouco algumas traduções ao pé da letra e fica estranho na construção.
"Amanhã comprarei a melhor faca que o dinheiro pode comprar, nada será bom demais para minhas putas."
Para quem ficou animado, essa resenha traz duas recomendações: O filme Do Inferno, de 2001, tem Johnny Depp investigando toda carnificina. Se você não quiser olhar para a cara dele, tem a série Whitechapel, lançada pela ITV em 2009, que traz investigações no distrito. A primeira temporada foca em um assassino que copia o Estripador. Rupert Penry-Jones protagoniza. Se eu fosse a rainha Elizabeth, mandava benzer esse local todo mês.
#TOCANDOTERROR é um projeto que estamos fazendo em parceria com o blog Caverna Literária, onde iremos comentar alguns de filmes, livros e séries do gênero. Para conferir as opiniões da Carol, é só acessar o Caverna.


Autora: Shirley Harrison
Título Original: The Diary of Jack The Ripper
Origem: Literatura Britânica
Editora: Universo dos Livros
Tradução: Felipe C.F. Vieira
ISBN: 9788579303210
Publicação: 2012
Páginas: 504
Título Original: The Diary of Jack The Ripper
Origem: Literatura Britânica
Editora: Universo dos Livros
Tradução: Felipe C.F. Vieira
ISBN: 9788579303210
Publicação: 2012
Páginas: 504
Série: Não
O Que Tem?: Investigação Criminal, Violência, Era Vitoriana
O Que Tem?: Investigação Criminal, Violência, Era Vitoriana
Links: Skoob - Compre Físico - Compre E-Book - No Site da Editora - Site da Autora

Temos um exemplar desse livro aqui em casa. A Nanda já leu e gosta bastante, mas confesso que eu ainda não li e até então não tinha tido muito interesse.
ResponderExcluirSua resenha ficou muito boa, me deixou um pouco curiosa para ler o livro... Quem sabe eu não leia XD
Oi Nana, tudo bem?
ResponderExcluirInfelizmente não me chamou muito a atenção. :(
Apesar de achar a mitologia do Jack, O Estripador bem legal, não curto tanto assim pra ler um livro mais especulativo sobre sua identidade.
Beijos,
Priih
Infinitas Vidas
Interessante a resenha.
ResponderExcluirBom final de semana!
Jovem Jornalista
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Até mais, Emerson Garcia
Oi Nana, tudo bem?
ResponderExcluirNão conhecia o livro, quando comecei a ler sua resenha fiquei completamente animada, porém fui desanimando aos poucos... hahaha gostei da sua sinceridade, mas acho que ainda daria um voto de confiança no livro, não conheço muito sobre a história de Jack, e todo esse mistério de quem está por trás chama muito a minha atenção!
Obrigada pelo carinho. Volte sempre!
Um super beijo :*
Claris - Plasticodelic
Oi, Nana!
ResponderExcluirMe interessei, mas me deu um pouco de preguiça de saber que tem umas 200 páginas a mais do que deveria ter.
Adorei Mindhunter e imagino que esse livro seja no mesmo estilo de "ok, hoje só consigo ler cinco páginas, é muito pesado".
E adorei a teoria que seria o irmão dele o Jack na verdade. Maligno, né?
Beijoooos
www.casosacasoselivros.com
Olá, Nana.
ResponderExcluirEsse é um livro que eu acho que não leria. Primeiro por serem casos reais, acho que iria ficar meio mal lendo eles. E segundo por ter tudo isso de páginas descartáveis para a história. E também porque li Mindhunter e não gostei muito. Imagine se todas as coisas boas gerassem seguidores como esse cara gerou, as coisas seriam bem diferentes hehe.
Prefácio
Oie Nana =)
ResponderExcluirDo Jack Estripador, só assisti um filme antigão com o Deep ainda. Achei Ok! Não dá medo nada, mas fiquei meio mal com o filme então acredito que lendo o livro especialmente por ser casos reais vou ficar mais mal ainda.
Beijos;***
Ane Reis | Blog My Dear Library.
Oi Nana,
ResponderExcluirRealmente, não é uma história para mim, rs.
É um clássico, mas acho que vou passar a dica...
Beijos
http://estante-da-ale.blogspot.com/
Oi Nana.
ResponderExcluirSinceramente não fiquei muito interessado.
A mitologia sobre o Jack, o Estripador realmente é muito interessante, mas ver outro livro especulativo sobre sua identidade não é nada tão inovador assim, além de ter muita encheção de linguiça, o que me incomoda muito.
Abraços.
Diego || Acesse Diego Morais Viana
Oi, Nana!
ResponderExcluirMeu, eu também me interesso muito pelas obras sobre o Jack e o grande motivo é sua identidade jamais ter sido revelada. Um dos livros que li aliás sugeriu que seus assassinatos evoluiram as pesquisas na perícia criminal. Fiquei curiosa pra ler esse diário em questão, já que possui tantas semelhanças e a teoria da possibilidade de ser o irmão dele o Jack. Mas acho que esse é um caso que nunca será mesmo desvendado.
xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com
Oi Nana!
ResponderExcluirPelo que voce falou, é um livro que lembrei muito do estilo Hannibal!
Acho que certas partes devem cansar um pouco, mas no geral me pareceu bem rico!
Mt bacana, acho que leria sim!
Nana, assiste o Nasce uma Estrela, acho que voce iria adorar!
Beijocas da Pâm
Blog Interrupted Dreamer
Oi Nana, tudo bem? Apesar dos momentos maçantes o livro parece interessante e cheio de detalhes, fiquei curiosa pra conferir!
ResponderExcluirBjs, Mi
O que tem na nossa estante
Oi, Nana! Como vai?
ResponderExcluirVi muita gente dizendo que não teria interesse em ler, mas eu pensei o contrário, fiquei muito curiosa pra fazer essa leitura.
Não conhecia o livro, parece interessante.
Beijos! Dear Masen
Oi Nana! Eu nunca li nada sobre Jack e confesso que tenho receio de encarar suas histórias. Essa dica eu vou deixar passar. Bjos!! Cida
ResponderExcluirMoonlight Books
Oi
ResponderExcluiresse é um tipo de leitura que não me interessa, mas pelo menos gostou da história, apesar de não ter curtido alguns pontos, existe varias teorias sobre ele né?]
http://momentocrivelli.blogspot.com