Filme: O Homem Que Inventou o Natal (2017) #ACABOUOPAPEL

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Antes de criar a grande obra Uma Canção de Natal, o autor Charles Dickens (Dan Stevens) estava sem ideias e precisando de um livro genial para sustentar sua família e retomar sua carreira. Misturando inspirações da vida real com uma imaginação incomparável, ele é capaz de criar personagens inesquecíveis que mudaram o natal para sempre.
 
Chocada que a dica natalina de hoje não é romance. Ha! Mas será ótimo para os fãs do autor e para quem ama escrever! O Homem Que Inventou o Natal é um drama biográfico sobre o autor Charles Dickens e se passa na era vitoriana. Bharat Nalluri, de A Vida Num Só Dia, dirige, enquanto Susan Coyne, da série Mozart in the Jungle, roteiriza a adaptação do livro homônimo de Les Standiford.

O casal Dickens, Charles e Kate

A trama inicia em 1843, quando Charles Dickens, Dan Stevens visto na série Legião, já não colhia mais os louros pelo lançamento e sucesso de Oliver Twist. Seus três últimos lançamentos - incluindo Nicholas Nickleby - não renderam tanto quanto o previsto, sendo considerado fracassos pelos críticos da época. Rejeitado pelos editores, ele decide fazer tudo por conta própria para tentar salvar suas finanças. Não estava em má situação, mas ele sentia que um dia ou outro as regalias iriam partir.

A produção se entrega 100% para focar na criação de Uma Canção de Natal, clássico natalino conhecido por seu protagonista avarento Ebenezer Scrooge mais os três espíritos que o visitam no Natal: presente, passado e futuro. Se você não leu, já deve ter assistido várias adaptações e releituras, ou até feito leituras. Até da Barbie tem, gente! Conforme Dickens comunica à sua mente criativa, da necessidade de um novo projeto, várias inspirações começam a cruzar seu caminho pelas ruas de Londres.

Não demora até que Dickens cruze com a figura que o inspirará a criar Scrooge, Christopher Plummer visto em Toda Forma de Amor, e sua rabugice. Os fantasmas também aparecem, conversando com o autor de forma divertida; assim como outros personagens. Inspirações também são gratificações das pequenas coisas, como a nova empregada irlandesa, Tara, a estreante Anna Murphy, que chega à sua casa e cuida das crianças. E como todo mundo resolveu aparecer justamente nesse momento da criação, seus pais também não ficariam de fora. O problema é que Dickens guarda mágoas do pai, Jonathan Pryce visto na série Game of Thrones, pelo fato do patriarca manter um comportamento irresponsável. Isso lhe causou grandes problemas no passado.

As conversas com Tara, a empregada irlandesa, rendem boas ideias. Mas a garota começa a acreditar que Scrooge pode mudar e trazer um final feliz para a história. É aí que Dickens entra em bloqueio criativo, e parece estar cada vez mais longe do belo final daquela que se tornaria sua obra mais vendida em todo mundo.

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Criando Scrooge - *Scrunge porque ele ainda não sabia o nome

Não importa se você é autor iniciante, já na estrada ou está pensando em ser. Acredito que vá se divertir bastante durante todo o processo de Dickens para finalizar seu livro. No topo está a cena em que cria as características de Scrooge, chegando a imitar sua postura e andar. Eu sou do tipo que sonha com meus personagens e os escuto - sério - e acho que estou ficando maluca. Me senti em família quando começou todo tom supostamente fantasioso por aqui. Ha!

Vamos começar elogiando toda adaptação da época que, quem é da casa, raramente erra. Produção britânica e de respeito. Não força a barra, sabe os toques exatos para exalar o glamour. E o que dizer dos tons dourados - principalmente o da biblioteca - no cenário que batem com o cabelo - ou peruca, vai saber - do Dan Stevens? A fotografia destaca e muito o ar da "mente de ouro" do autor. Dan, junto com Plummer e Pryce, são os dois mais conhecidos do grande público na produção, que apresenta atrizes coadjuvantes tão carismáticas quanto.

Dan Stevens nos presenteia com um ótimo Charles Dickens. Suas expressões - muitas vezes com ar maléfico - se sobressaem em algumas cenas. Mas será que Dickens tem algo de Scrooge dentro de si? Boa parte das cenas são dentro da biblioteca do autor, que odeia ser incomodado durante seu processo de criação. Um ar muito antissocial. São poucas as interações com seus filhos. Achei bem doido que ele interage mais com a moça irlandesa do que as próprias crianças. Embora um brilho maior seja suas cenas com Plummer, que interpreta a figura de Scrooge. Como não amar o sr. Plummer em cena?

Ebenezer Scrooge atormenta Dickens durante a criação de Canção de Natal

É muito importante que o roteiro especifique o foco que se fará presente. Mas ele deixa várias migalhas, de acontecimentos passados e futuros, da vida do autor. Leitores mais assíduos de suas obras, certamente vão encontrar outros pontos de inspiração para outras publicações. E de obras futuras também. Também há o toque triste nessa questão. É que não esconde que o autor tinha problemas no casamento, o que me agradou. Dickens e sua esposa tiveram dez filhos, e neste filme são apresentados apenas quatro - quinto se considerar o da barriga - e já deixam nítido que Kate Dickens, Morfydd Clark vista em Orgulho e Preconceito e Zumbis, não estava muito contente; que o casamento não era uma perfeição.

O processo - fora de escrita - leva Charles a gastar. Os editores não estavam tanto confiantes, então ele resolveu fazer por si. Contratou um ilustrador John Leech, Simon Callow visto em Quatro Casamentos e um Funeral, por fora e se desesperou para entregar o manuscrito no prazo da impressão. Detalhe: eu desesperada assistindo o cara correndo com aquelas folhas, com medo de voar tudo. E na época era tudo feito à mão. Imagina a tendinite, gente.

Certamente, O Homem Que Inventou o Natal é aquele tipo de filme sobre realizações natalinas, que deposita um tico de idealizações em nossa mente. No Natal, muitas vezes, a gente se pega remoendo tanta coisa, que talvez saiam grandes inspirações dessa lama, e você ainda não pescou. O ar fantasioso quebra bastante a seriedade e o tom maçante que boa parte das cine biografias costumam apresentar.

Personagens de Dickens reunidos e seu corvo

Uma curiosidade: Boa parte do elenco coadjuvante já atuou em várias adaptações de Dickens para a TV britânica.

Uma outra curiosidade: O corvo da família Dickens, que boatos dizem que inspirou Poe naquele poema, aparece nesse filme. O corvo ator é até creditado no IMDB. Seu nome é Jake.

Ah, e se você ficou com vontade de ler Uma Canção de Natal, a Companhia das Letras está lançando uma edição esse mês, com as ilustrações do John Leech. Clique aqui.


Título Original: The Man Who Invented the Christmas
Nacionalidade: Britânica
Produção de: Parallel Films e Mazur/Kaplan
DireçãoBharat Nalluri
Roteiro: Susan Coyne
Roteiro Adaptado? O Homem Que Inventou o Natal, de Les Standiford
Ano: 2019
Censura: 10 anos
Duração: 104min
O Que Assistirei? Biografia, Comédia, Drama e O Corvo
Elenco Principal: Dan Stevens, Christopher Plummer, Jonathan Pryce, Miriam Margolyes, Morfydd Clark, Justin Edwards, Anna Murphy, Bill Patterson, Donald Sumpter, entre outros.
Trilha SonoraClique aqui
Prêmios/Indicações: Clique aqui

12 COMENTÁRIOS

  1. Gostei da resenha, apesar de algumas ressalvas vou incluir esse filme na minha lista de filmes para maratonar, espero conseguir fazer isso essa semana.
    Beijocas.

    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  2. Amei a indicação, não posso ver um filme sobre o Natal que já quero asssitir. Assim que ver esse te conto o que achei! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  3. Oi
    é sempre ver boas dicas de filmes de natal, legal que esse não é romance, pois quando se fala de natal a primeira coisa que vem a mente é filmes de romance, parece ser uma boa obra para se assistir e legal que o filme não é algo forçado.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  4. Oi Nana! Eu amo ver esse tipo de filme nessa época e esse faz um tempinho que estou interessada. Adorei saber mais detalhes. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  5. Oi Nana!Amei a dica natalina, eu já estava interessada na edição da Companhia e quero ver o filme também, foge um pouco do comum, não é romance rrsrss

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  6. oi :)
    menina não sei se é meu estilo de filme natalino, sou mais de animações bobas e filminhos de comédia ou romance.
    Mas, gostei da sua resenha. Quem saiba eu veja um dia (levando em conta que é sobr eum autor, deve ser bem interessante).

    http://www.seguindoocoelhobrancoo.com.br/

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  7. Que dica maravilhosa, Nana! Amo a obra de Charles Dickens e não conhecia esse filme. Vou atrás dele, com certeza! Beijão!

    www.newsnessa.com

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  8. Olá, Nana.
    Geralmente só assisto filmes de natal de comédia ou de romance. Acho legal variar e ainda mais com um filme tão inspirador quanto esse. Se der vou assistir sim porque fiquei bastante interessada. No livro também hehe.

    Prefácio

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  9. Olá...
    Eu também adoro um bom romance rsrsrs...
    Também adoro filmes que se passam na época vitoriana, portanto, já estou ansiosíssima pra assistir esse filme.
    Dica anotada!
    Bjão

    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  10. Olá...
    Eu também adoro um bom romance rsrsrs...
    Também adoro filmes que se passam na época vitoriana, portanto, já estou ansiosíssima pra assistir esse filme.
    Dica anotada!
    Bjão

    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  11. Oi, Nana!

    Não sabia que esse filme contava a história de Charles Dickens, que legal!! Fiquei bem curiosa pra conferir, foge do trivial de filmes de romance e família que há bastante da época, e pelo jeito o filme também é ótimo!!

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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  12. Oi Nana, tudo bem?
    Conheço e amo essa essa história do Dickens, meu primeiro contato foi com um filme do Tio Patinhas.
    Adorei esse filme, fiquei com vontade de ver. Estou extremamente curiosa com o processo de criação do Dickens.

    Até mais;
    |Mente Hipercriativa (Blog) | Mente Hipercriativa (Fanpage)|

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Olá, sejam bem vindxs :D
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