Filme: Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal (2019)

Liz, uma mãe solteira, se apaixona por Ted Bundy e, por anos, se recusa a acreditar que ele é culpado pelos sequestros e crimes hediondos contra as mulheres das quais ele é acusado.
Bom, aviso quem estiver esperando um show de violência gratuita contra mulher pode tirar o cavalinho da chuva. A produção é do ponto de vista da Elizabeth Kendall, companheira de Ted Bundy na época dos acontecimentos expostos neste filme, com roteiro baseado em seu livro de memórias, The Phantom Prince: My Life with Ted Bundy, adaptado pelo estreante Michael Werwie. Joe Berlinger está na direção. Foi ele quem produziu a doc-série Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy para a Netflix.

A trama inicia no fim dos anos 60, quando o famoso serial killer Ted Bundy, Zac Efron visto em O Rei do Show, conhece sua futura companheira Liz Kendall, Lily Collins vista em Simplesmente Acontece. Ele era um estudante de Direito, enquanto ela trabalhava como secretária e cuidava da filha. Mais pra frente, em meados dos anos 70, começam circular notícias sobre as mortes de jovens mulheres nos arredores de Seattle. A narrativa intercala com Ted preso e os dias de julgamento. Isso inclui várias fugas da parte dele.

Enquanto está preso, Ted tenta a todo custo se reconectar com Liz. A moça, acompanhando todo caso, começa a mudar sua opinião sobre a figura dele. Aos olhos dela, sempre pareceu tão lindo por dentro e por fora. Cuidava de sua filha como ninguém. Nos noticiários da época, o serial killer era sempre exaltado pela sua beleza, mas seu egocentrismo durante as prisões e o julgamento detonavam qualquer vestígio de estabilidade. Detalhe: Ted bancava o próprio advogado de defesa.

Durante as fugas Bundy sempre encontrava novas vítimas, levando a mais desconfianças da parte de Liz. Apaixonada, recusou-se um bom tempo acreditar no que lia sobre ele. Se afundou no álcool, até ter coragem de encarar Ted e confrontá-lo. Durante o tempo na prisão, ele também recebe visitas íntimas de uma amiga, Carole Ann, Kaya Scodelario vista na saga Maze Runner, apenas uma das que acreditavam fielmente em sua inocência.

O filme segue até o veredito final do caso mais as consequências e, acredito eu, respeita bastante todas as vítimas envolvidas. Não há exibições gratuitas das mortes, apesar do destaque para algumas das vítimas.


Filme obteve uma boa recepção durante o Festival de Sundance, no início do ano, e a Netflix não foi nada boba e garantiu a compra. Creio que a maioria deve ter estranhado a escolha dos protagonistas. Da minha parte, eu meio que tenho certa implicância com a voz do Zac, ainda acho muito estilo boy American Pie. Mas o rapaz se esforçou bastante, apresentando grande tom ao personagem e performance. Sério, os momentos egocêntricos é onde ele se firma. Os noticiários da época amavam o show de exibicionismo do assassino.

Lily Collins consegue manter toda carga emocional que sua personagem exige. É uma atriz que investe bastante em produções mais dramáticas; já pode definir como sua zona de conforto. Os dois soam muito novos como interpretes de ambos os personagens, mas a grande marca da trama é a passagem de tempo, assim a maquiagem acaba por ajudá-los. Liz é uma personagem que se despedaça conforme os minutos passam. Logo nos primeiros minutos a gente já presencia uma grande diferença em sua expressão.

O fato de mesclar os acontecimentos pode ser confuso para alguns. Coisas paralelas, anos e lugares diferentes e tals. A montagem é muito bem-feita, quem assistiu Conversando com um Serial Killer pode ter uma noção de como Berlinger trabalha. Aliás, há cenas do doc por aqui, nos créditos finais. Olhando suas outras produções pelo IMDB, pode-se notar o quanto ele é fã desse universo de crimes reais.


A produção ainda garante várias surpresas no elenco. Uma das que chama atenção é a presença de James Hetfield, vocalista da banda Metallica, com quem Berlinger já trabalhou anteriormente. Aliás, a banda está bem presente na trilha sonora, um outro ponto que rasga elogios. Bom gosto musical por aqui, viu?

Entretanto, algo que não passa despercebido é o figurino, que só acrescenta à bela fotografia que ajuda a nos encaixar na época. O marrom se faz muito presente. Acredito que as gravatinhas borboleta, nas cenas do julgamento, sejam um belo marco. Tomara que as grandes premiações não ignorem essa parte em 2020.


Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal consegue saciar a curiosidade dos loucos por crimes reais - como eu, hehe - na medida certa. Bem na cara que o diretor tinha tudo pensadinho para conectá-lo a doc-série, que pra mim, é bem mais tocante, de um jeito assustador. O filme se estende bastante nas questões jurídicas e na caçada pelo assassino, pontos que o olhar de Liz estava bem mais envolvido emocionalmente.

O título original gigante surgiu de um quote do próprio Ted Bundy durante seu julgamento.


Título Original: Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile
Nacionalidade: Americana
Produção de: COTA Films, Voltage e Netflix
DireçãoJoe Berlinger
Roteiro: Michael Werwie
Roteiro Adaptado? The Phantom Price: My Life with Ted Bundy, de Elizabeth Kendall
Ano: 2019
Censura: 16 anos
Duração: 110min
O Que Assistirei? Biografia, Drama e Crime
Elenco Principal: Zac Efron, Lily Collins, John Malkovich, Angela Sarafyan, James Hetfield, Kaya Scodelario, Haley Joel Osment, Jim Parsons, Brian Geraghty, entre outros.
Trilha SonoraClique aqui
Prêmios/IndicaçõesClique aqui

Nana Barcellos

10 comentários:

  1. Olá...
    Ainda não conhecia esse filme, mas, ao ler sua resenha fiquei mega entusiasmada pra assistir! Achei a história interessante e como gosto muito da Lily Collins já vou programar pr assistir o mais rápido possível!
    Bjão

    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  2. QUE FILME!! Caramba esse parece ser o máximo, como eu não o vi antes? kkkk
    Gente que absurdo de maravilhoso, sem falar que a Lily é maravilhosa <3
    Jardim de Palavras

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  3. Oi Nana, eu achei as atuações ótimas e amei a ambientação, mas sai do cinema com aquela sensação de que poderia ter sido melhor, não sei, faltou um pouco de impacto rsrs mas eu curto o filme mesmo assim rs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Oi Nana,
    Já está na NETFLIX?????????????? NÃO SABIA!
    Eu estou começando a gostar de obras assim, então, é óbvio que quero assistir!!!
    O Zac amadureceu como ator né? Nunca imaginaria ele com um papel tão... forte, controverso.
    beeeijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  5. Olá, Nana.
    Eu não gosto muito desse tipo de filme. Não quis assistir nem o filme nem a série. Sou dessas que gosta de fingir que a realidade é diferente e por isso amo livros com finais felizes hehe. Mas sei que isso acontece e muito. Eu mesmo conheço um fulano que quase matou a mulher nos EUA, ficou preso e agora que saiu, os pais venderam a casa aqui para pagar a fiança dele, já arrumou outra mulher que ainda por cima tem duas crianças pequenas. Não sei o que essas mulheres estão pensando.

    Prefácio

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  6. Oi Nana, tudo bem?
    Eu adoooro esse assunto também e sua resenha me deixou ainda mais curiosa pra conferir o filme. Fico feliz em saber que o filme não expõe mulheres desnecessariamente só pra chocar ou ganhar audiência. Ponto pro longa!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  7. Gostei da dica Nana. Confesso que fujo um pouco dessas histórias "reais", mas tenho nutrido uma pontinha de interesse desde que vi as críticas positivas de Mindhunter. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  8. Oi
    estou bem curiosa para assistir esse filme, ainda mais pra ver o Zac fora da sua zona de conforto, o filme parece ter uma alta carga dramática, quem sabe eu assista em breve. Esse mês mesmo o que to mais assistindo é filme de natal.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  9. to doida pra ver esse filme! to gostando mt desses filmes sobre psicopatas, ainda mais sendo história real

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  10. Oi, Nana!

    Confesso que eu esperava mais desse filme :(( talvez por ser narrado pelo ponto de vista da mulher dele, o longa acaba se tornando mais arrastado, sem tanta ação, mas o fato de ser narrado por outro alguém além do próprio ted bundy, também traz um grande diferencial pro filme e o torna interessante. Não sei se me expliquei bem hahaha eu gostei, mas acho que não impactou tanto quanto era o esperado. Adorei a resenha e ver a sua opnião também!! Claro que a dona Nana, a louca dos suspenses, ia curtir o filme hahaha

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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