Livro: Queria Que Você Me Visse - Emery Lord

Neste romance envolvente, Vivi e Jonah descobrem que, quando se encontra a pessoa certa no momento ideal, tudo muda para sempre. Jonah Daniels vive em uma cidadezinha na Califórnia desde que nasceu. Há seis meses, com a morte de seu pai, toda a sua família teve que se adaptar: Jonah e seus cinco irmãos se tornaram responsáveis por manter a casa em ordem e cuidar do restaurante que o pai deixou. No começo do verão, porém, a vida do garoto parece prestes a seguir um novo rumo com a chegada de Vivi Alexander. Vivi é apaixonada pela vida. Encantadora e sem papas na língua, ela se recusa a tomar um de seus remédios porque sente que ele reprime seu ímpeto de viver novas aventuras. E, ao encontrar Jonah, ela tem certeza de que está prestes a viver mais uma. Mas será que Jonah está disposto a correr os mesmos riscos que ela?
AVISO: Este livro foca em algumas questões envolvendo saúde mental - luto e transtorno bipolar.

E cá estamos com mais um YA abordando saúde mental. Quem costuma fugir pelo tom mais pesado e desastroso dos outros, pode optar por este. Não que seja tão light, só que a conclusão difere - um pouco - dos famosinhos de fins desgraceira.

Vivi Alexander está apaixonada por Verona Cove. A jovem encontrou o refúgio perfeito na pequena cidade de ar amigável e seu contato com a natureza, além de um emprego divertido. Todos julgamentos dos últimos anos parecem ter dissipado, dando espaço para o otimismo do recomeço. E Vivi está disposta, disposta a deixar seu carisma na vida de cada um dos locais. Mesmo que precise entalhar a recordação em uma árvore.

Vivi nunca conhecera o pai, apesar de todas as pressões que faz para que a mãe o revele. Os remédios ajudam a controlar tudo que a mãe decide evitar, mas não por muito tempo. Vivi está crescendo - logo é seu aniversário - e sua alma está sempre à procura de momentos que tirem o fôlego. É isso que ela ama; é isso que o tratamento com os remédios anda bloqueando.

Jonah Daniels perdeu o pai há poucos meses. Ele e os irmãos mais velhos, Silas e Naomi, tomaram à frente da situação financeira da casa, refeições, dos cuidados aos outros três irmãos e o restaurante da família. A mãe ainda não superou a perda do marido, distanciando-se dos filhos, o que leva Jonah a mentir para parte de moradores da cidade. Verona é a típica cidade pequena, então só quer evitar falatórios sobre a situação da família.

Os dois jovens protagonistas se conhecem quando Jonah leva a irmã caçula até a loja onde Vivi trabalha. Com grande simpatia, Vivi acaba por conquistar atenção da garotinha, que a convida para jantar em sua casa. É o início de uma bela conexão entre Vivi e a família Daniels, principalmente pelos sentimentos que afloram entre ela e Jonah. Mas, aos poucos, Vivi sente que também precisa preencher certas lacunas emocionais, colocando em jogo o destino da recém relação entre eles.

"- Uma garotinha foi na loja hoje cedo, toda tímida, mas acabou gostando de mim e me convidou pra jantar quando soube que eu era nova aqui. Disse que o melhor lugar da cidade para comer é a casa dela."

É difícil pegar uma leitura jovem adulto e encontrar uma protagonista tão carismática como Vivi Alexander. Amigável, se esforça para roubar sorrisos e ainda guarda ótimas comparações entre humanos e animais; fora o visual irreverente à lá Marilyn Monroe que chama atenção por onde passa. Não é a toa que a irmãzinha de Jonah se vê encantada por ela... ah, e ele também. O problema é que Vivi esquece de retribuir este carinho a si mesma, virando as belas cores da narrativa de Emery Lord em tons sombrios, que até nos faz refletir sobre os pequenos gatilhos da nossa saúde mental. O pífio floco que se torna a nevasca.

Emery Lord nos apresenta protagonistas de personalidades bem distintas: enquanto Vivi é a espevitada e aventureira, Jonah é o comedido e caseiro. O garoto acabou criando um lado paternal - de forma obrigatória -, mas o ar adolescente está ali, tentando aproveitar cada minuto da inesperada paixão. Embora Vivi dificulte, pois há certas coisas que Jonah não precisa saber, como seu lado obscuro adormecido. A narrativa alterna entre os dois e, apesar de não simpatizar com a primeira pessoa, é necessário.

Além do romance, o relacionamento familiar é outro tópico importante neste enredo. O ar maternal se destaca em meio a tristeza do luto e o abandono paternal. Nenhuma família é perfeita, e é algo que a autora reconhece ao nos apresentar coadjuvantes interessantes que também carregam suas superações. Todos estão sempre lidando com seus fantasmas, e não cabe a nós julgá-los sem saber.

"- Você é a única garota na minha cabeça."

E falando nos coadjuvantes, vocês devem ter notado que a família Daniels é enorme. Sim, são cinco irmãos! Sorte de Jonah contar com ajuda dos mais velhos. A mais nova, Leah, é uma fofura sem fim. E há outros moradores de Verona que acabam por ter certo destaque na história destes jovens, como o policial que Vivi adora conversar no café. E fica no ar certo triângulo amoroso - de acordo com os ciúmes da Vivi -, mas acredito que vocês vão curtir a maneira que a autora escolheu para selar a paz.

E do meio para o fim é quando notamos um outro lado do romance, quando o ar mais pesado predomina a narrativa pelos segredos e sentimentos expostos. A escrita da autora nos prende com ações inesperadas, ela sabe como despertar nossa preocupação e entregar uma conclusão que respeita a condição de Vivi.

Queria que Você Me Visse é daquelas leituras reflexivas com gosto agridoce; perfeito para quem deseja iniciar no estilo. Em alguns pontos, acaba por lembrar Eleanor & Park, de Rainbow Rowell; outra leitura recomendada e tão reflexiva quanto. Acredito que Emery Lord só perca detalhes ao finalizar, deixando algumas questões abertas, e soa apressado. Vivi costuma idealizar possíveis futuros pelas páginas, o que nos faz pensar sobre uma continuação. Entretanto, acho que assim está perfeito.

"O coração é uma coisa estranha - um caroço feito de músculo com canos saindo. Às vezes penso que o meu é feito de borracha, e o mundo o estica e retorce dentro do meu peito, causando toda a dor. Por isso passei a maior parte do meu tempo nesse mundo sofrendo. Às vezes penso que um coração de porcelana seria melhor. Deixe que ele caia das minhas costelas e quebre no chão, sem mais bater, fim. Só que tenho um coração elástico que sangra quando o mundo enfia suas garras nele, e continua a bater apesar da dor."

A edição está adorável, de fonte confortável e ótimo trabalho com a revisão. O formato do livro é médio; adoro, pra carregar na bolsa. A capa traz estas cores perfeitas e, se puderem, analisem todos os pontos após a leitura. Há muitas referências! E vocês sabem que sou louca por fontes, adorei esta utilizada. Linda.

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Autora: Emery Lord
Título Original: When We Collided
Origem: Literatura Americana
Editora: Seguinte
Tradução: Lígia Azevedo
ISBN 9788555340598
Publicação: 2018
Páginas: 352
Série: Não
O Que Tem? Romance, Saúde Mental, Assuntos de Família


LinksSkoob Compre Físico - Compre E-book - No Site da Editora - Site da Autora
O Canto Cultzíneo agradece ao Grupo Companhia das Letras (Seguinte) por ceder o exemplar para análise.



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Nana Barcellos

10 comentários:

  1. Parece sere um livro bem legal e interessante!
    Eu nunca li um livro que fale sobre saúde mental, achei bem bacana e importante :)

    http://www.heyimwiththeband.com.br/

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  2. Oi Nana! Este livro faz um tempinho que saiu, mas foi um daqueles que entre outros lançamentos eu deixei para ler depois e ainda não li. Eu não havia lido nenhuma resenha ainda e gostei do que você conta e se lembra o livro de R. Rowell, me anima ainda mais.
    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  3. Oie Nana, tudo bem?

    Desde que você comentou sobre esse livro no Instagram, fiquei ainda mais curiosa em conhecer a história. Parece ser aquela narrativa que deixa algo conosco mesmo após a leitura, e particularmente ando sentindo falta de livros assim.

    Infelizmente ainda não tenho o livro, mas assim que ver ele em uma promoção vou adquiri-lo.

    Beijos;***
    Ariane Reis | Blog My Dear Library.

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  4. Oi
    não conhecia essa história, ela parece ser boa e daquela que nós faz sofrer, eu leio livros desse tipo e já fiquei interessada na leitura, gostei da dica.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  5. Oi Nana, tudo bem? Ás vezes eu acho que é preciso ter avisos de gatilhos sempre, coisas que as editoras não fazem... enfim, gostei do tema e a autora parece desenvolve bem a história! Dica anotada!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  6. Acho que livros que abordam temas como saúde mental são bem importantes. Não conhecia essa obra ainda. Vivi se mostrar ser alguém tão animada e encantadora mas que tem um lado tão sombrio fez com que eu me interessasse bastante pela personagem, afinal, ninguém tem só um lado e todos escondemos algo lá no fundo da gaveta em nosso peito. Curti muito a sua dica!

    Abraço,
    Larissa ♥
    Parágrafo Cult

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  7. Oi Nana,
    Eu gosto bastante desses YA da Seguinte. E eu gosto de temas sobre a saúde mental, acho importante e até sinto falta de ter lido mais sobre isso na minha adolescência, sabe?
    Estou de olho nesse livro desde que lançou, mas acabou caindo no esquecimento porque pouca gente fala dele. Mas vou anotar para não perder de novo!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  8. OI Nana, gostei da dica de livro. Nessa quarentena eu voltei a ler mais. Já estou com uma pilha aqui para ler. E já anotei a sua dica.
    beijos
    CHris


    Inventando com a Mamãe / Instagram  / Facebook / Pinterest


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  9. Eu não gosto de livros com temas pesados, mas também gosto de conhecer mais sobre transtornos mentais e ver isso em livros. Eu já quero ler o livro por ser mais tranquilo, adorei a resenha.

    Beijos

    Imersão Literária

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  10. Um tema que precisava ser mais debatido né? Minha irmã que é enfermeira me disse que a Covid não matar a todos nós, as doenças mentais irão. As pessoas estão enlouquecendo e isso é muito sério.
    Eu ainda não conhecia o livro,mas já fiquei super curiosa!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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