Livro: Frank e o Amor - David Yoon

Frank está descobrindo o amor ― e você está prestes a se apaixonar por este livro. Frank nunca conseguiu conciliar as expectativas de sua família tradicional coreana com sua vida de adolescente na Califórnia. E tudo se complica quando ele começa a sair com a garota de seus sonhos, Brit Means, que é engraçada, inteligente, linda… Basicamente a nora perfeita para seus pais ― caso tivesse origem coreana também. Para poder continuar saindo com quem quiser, Frank começa um namoro de mentira com Joy Song, filha de um casal de amigos da família, que está passando pelo mesmo problema. Parece o plano perfeito, mas logo Frank vai perceber que talvez não entenda o amor ― e a si mesmo ― tão bem assim. “Me apaixonei instantaneamente por essa história afetuosa, honesta, hilária e dolorosamente romântica. Preparem-se para se apaixonar por Frank também!” ― Adam Silvera, autor de História é Tudo Que Me Deixou; “Tem tudo para se tornar um clássico.” ― Marie Lu, autora da série Legend; “Amei, amei, AMEI esse livro, que consegue ser uma história de amor, uma discussão sobre racismo, um vislumbre da adolescência e as boas-vindas à cultura coreana, tudo ao mesmo tempo.” ― Jodi Picoult, autora de A Menina de Vidro
Fiquei encantada com o convite da editora Seguinte para participar desta leitura coletiva, pois nem imaginava o quanto este jovem adulto de David Yoon iria me surpreender.

É o último ano no ensino médio para o jovem Frank Li. Há toda preparação e empolgação para a partida em direção a vida universitária. Mas o garoto nem imaginaria que seus últimos dias na escola se tornariam agitados. Frank e seu melhor amigo Q. nunca fizeram parte de uma ala supostamente popular - apesar do maravilhoso empenho nas notas. Sempre tiveram eles mesmos e suas obsessões para entretê-los. E não parece ter espaço para um romance além de suas idealizações, sobretudo com as regras que os pais de Frank impõem para aprovar as boas-vindas a quem quer que seja.

Frank nasceu e cresceu em solo americano. Seus pais são coreanos que fixaram residência e negócios em uma área diversificada por minorias na Califórnia. Os dois nunca deixaram as tradições de lado, e podem soar bastante antiquados quando desejam. Frank sabe o quanto é difícil lidar com eles e com todo preconceito que despejam sobre todos que o cercam. Todos sabem o que aconteceu quando sua irmã trouxe um namorado americano e negro para casa: ela nunca mais voltou.

Então imaginem o campo minado que se desenha aos pés de Frank quando precisa fazer um trabalho escolar ao lado da bela Brit Means. E pior: sua admiração se torna recíproca. Conforme passam mais tempo juntos, Frank e Brit iniciam um flerte que logo os leva ao primeiro beijo; um avanço para o namoro não é negado. Mas Frank sabe que seus pais enlouqueceriam se soubessem a verdade, e não quer ferir ou perder Brit. E é assim que a carismática Joy Song entra - e bagunça - em sua vida amorosa.

Frank e Joy cresceram juntos devido as inúmeras reuniões de família organizadas por seus pais. As duas famílias são bem tradicionais e, desde que chegaram ao solo californiano, se esforçam para manter seus laços unidos - assim como os dos filhos. Não só eles, mas outras famílias tradicionais coreanas também participam dessas reuniões. Mesmo assim, seus filhos nunca se tornaram grandes amigos ou firmaram qualquer compromisso desejado. Unindo o útil ao agradável, Frank e Joy decidem fingir que estão se relacionando enquanto encontram um jeito de contar aos pais sobre seus respectivos pares não coreanos. Não é preciso dizer que o destino dá uma rasteira deliciosa neles, né?

Mas Frank e o Amor não é um simples e típico romance jovem adulto; não é só sobre Frank e sua conflituosa vida amorosa, mas também sobre o amor por seus pais, sua irmã e seus amigos. A hora de partir para a longa jornada universitária se aproxima cada vez mais, e nosso protagonista precisa deixar a casa arrumada e lidar com a despedida - resolvendo outras pendências que seu coração teme expor.

"Eu achava minha irmã corajosa, mas agora me pergunto se coragem vale a pena. Os corajosos são os primeiros a ir para a batalha. O que significa que são os primeiros abatidos também."

Frank e o Amor marca minha primeira experiência literária com David Yoon. Bem, literária mesmo. Ha! Conheci seu trabalho como "ilustrador" quando fiz a leitura de Tudo e Todas as Coisas - ilustrações adoráveis, aliás - e esse foi um passo para abrir a mente para sua literatura. A narrativa se encaixa perfeitamente com parte de pautas relevantes e em alta nas redes sociais atualmente, sobretudo entre os jovens, como: identidade, racismo, xenofobia, dentre outros pitacos sociais e políticos. Se não é explícito, está nas entrelinhas. E isso é algo que David constrói muito bem e sem soar insosso. Seus personagens sabem como demonstrar grande sarcasmo quando querem.

A introdução nos leva a um jovem animado com a vida universitária, e que precisa esconder um relacionamento com a garota dos sonhos. Pobre Brit. A menina é super meiga e educada, tenta ser agradável em qualquer situação. Mas quem deseja ser escondida pra sempre? Frank até tenta construir um relacionamento estável - mesmo ás escondidas - com todo plano arquitetado com Joy (a namorada de mentira) e Q. (o amigo para qualquer imprevisto). Joy, aliás, está passando pelo mesmo problema que Frank: está namorando um rapaz de família chinesa e que jamais seria aceito por seus pais.

E eis que esbarramos com algumas viradas emocionais que levam a narrativa para inesperados e surpreendentes caminhos. Dizer que jamais iria imaginar que terminaria este livro chorando; apesar que fico feliz por não ter sido enganada pelo autor. Não simpatizo muito quando jogam uma problemática - neste caso dada como impossível - na história e depois um milagre acontece pra forçar um final feliz. A escrita de Yoon é sincera e madura. Nota-se muito do tom pessoal em sua construção.

"É por isso que prefiro filmes de terror. Porque nunca tem abraço coletivo."

Frank narra todas estas desventuras do seu último ano do ensino médio. O leitor acompanha os conflitos e desabafos em relação ao comportamento de seus pais, além de suas indecisões amorosas. E preciso dizer que algumas coisas pareciam até aqui dentro de casa. Frank precisa se privar de tanta coisa para proteger as pessoas dos julgamentos e preconceitos deles; foi como assistir um filme da minha vida. Nem Q., seu amigo de longa data, escapa dessa proteção. As famílias dos dois nunca sentaram para um almoço de domingo ou compartilham da amizade dos filhos. O valor para os pais de Frank está em pertencer ao mesmo solo que eles.

Por mencionar Q., pode ter certeza que este rapazinho irá conquistar seu coração. Enquanto Frank está todo proso em seu carrossel de paixões, Q. só deseja curtir o momento. Os diálogos entre os dois são sempre repletos de boas tiradas deveras reflexivos e marcantes. É aquele tipo de amizade literária que a gente gostaria de ter. Brit e Joy também são duas personagens que se destacam pelo carisma e inteligência. Simplesmente adorei o fato do autor não criar tretas e xingamentos desnecessários entre as duas. Acho que há consciência da quantidade de ódio presente no enredo, por parte dos personagens mais velhos, e acrescentar uma parte fútil não acrescentaria a nada.

Entretanto, minha implicância se fixa justamente na direção que ele leva a construção de Brit. Há uma parte em que a personagem simplesmente desaparece, e é como se ela não tivesse sido exaltada pelo protagonista na primeira parte da história. É bem esquisito, e incomodou bastante. Afinal, ela nunca foi representada como uma figura má ou problemática.

" Uma vez me disseram que a gente tem que odiar os pais para sair de casa."

Porém, não deixo de indicar - e muito - a leitura de Frank e o Amor e seu transbordar das várias formas de amar. Há sentimentos lindos por trás de cada lição apresentada a Frank - ou até nós. Final traz grandes surpresas - parte para nos deixar chorosos - e uma certa esperança para Q. ganhar sua própria história. Merece e muito!

Edição lida em e-book. Preciso começar destacando o quanto apreciei o tradução. Há uma cena que rola uma treta em coreano e não é traduzido - no momento - e instiga o leitor para quando chegar os relatos de Frank. Adorei a decisão - dentre outros momentos pela narrativa - Frank e Q. adoram brincar com as palavras. A trama é dividida em quarto partes mais o epílogo; também apresenta ótima revisão. E o efeito dessa capa é bem tentador. Várias vezes me peguei encarando pra trolar a mente. Ha!

"Vivo para fazer as pessoas rirem. Pais, irmãos, amigos, amantes, não importa. Só preciso fazer isso. Se por algum motivo você não fazer alguém rir, aprenda. Estude como se fosse para o vestibular. Se tiver a infelicidade de não haver ninguém na sua vida que te faça rir, largue tudo e encontre essa pessoa. Atravesse o deserto se precisa. Porque risada não tem só a ver com graça. É a música das profundezas do cosmo que conecta todos os seres humanos e que diz tudo o que as palavras não conseguem expressar."

Finalizo dizendo que se você também tem problemas deste nível com seus pais tradicionais, tenha em mente que você não é eles; o preconceito e ódio são deles. Continue com sua bela personalidade e faça do silêncio seu melhor amigo, logo você terá sua liberdade e seu próprio caminho. Bom, é assim que eu gosto de pensar pra não surtar. Ha!

*Adaptações:

Frankly in Love (?) | ?
. Ainda não há muitas informações sobre a adaptação de Frank e o Amor, mas seu cadastro já se encontra pelo site IMDB.

Autor: David Yoon
Título Original: Frankly in Love
Origem: Literatura Americana
Editora: Seguinte
Tradução: Lígia Azevedo
ISBN 9788555340925
Publicação: 2019
Páginas: 400
Série: Não
O Que Tem? Amizade, Casos de Família, Coming of Age

LinksSkoob Compre Físico - Compre E-book - No Site da Editora - Site do Autor
O Canto Cultzíneo agradece ao Grupo Companhia das Letras (Seguinte) por ceder o exemplar para análise.


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Comentários

  1. Oi Nana
    Já tinha visto a capa do livro em alguns lugares mas nunca tinha procurado saber a fundo sobre o que a história se tratava. Amei sua resenha e vou deixar o livro anotado para ler futuramente.

    Beijinhos
    https://focadasnoslivros.blogspot.com/

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  2. Olá, Nana.
    Eu nem me inscrevi para participar da leitura porque só tinha lido algumas resenhas desse livro até então e todas desfavoráveis. Mas depois da sua resenha fiquei morrendo de vontade de ler. Gostei bastante da resenha e de saber sobre sua experiência com o livro. Tem livros que são assim né. E a gente quer que todo mundo leia e sinta o mesmo que a gente hehe.

    Prefácio

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  3. Oi
    eu nao sabia muito bem sobre o que esse livro falava, me interessei e o romance parece ser legal, só uma pena que a personagem Brit desaparece sem explicação, pelo menos gostou da leitura.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  4. Oi.
    Gostei de conhecer e saber que vai ter uma adaptação, dependendo do trailer eu assistirei ao filme. Fiquei chateada pois, um personagem desaparece e não há muita explicação, mas espero que no filme isso mude.
    Beijos.



    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  5. Oiii Nana

    Ah que resenha mais amorzinho! Eu tentei ler o livro da Nicola e não gostei, achei parado, mas esse do David sempre me deixou curiosa, parecia ser fofo, e acho que realmente tem tudo pra ser uma leitura bacana. Dica anotada.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  6. Adorei saber mais sobre a obra. Vi outros comentários a respeito dele mas não cheguei a ler o livro. Os temas abordados me chamaram bastante atenção.

    Abraço

    Imersão Literária

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  7. Oi Nana, tudo bem?

    Confesso que esse livro nunca chamou muito a minha atenção, mas depois de ler a sua resenha fiquei tentada a dar uma chance. Pela sua resenha dá para sentir que ele fogo dos clichês do gênero, o que o torna uma leitura interessante.

    Beijos;*
    Ariane Reis | Blog My Dear Library.

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  8. Isso dos pais não aceitaram a namorada e tals deve ser bem triste :(
    Achei a história bem interessante, daqueles livros que te prendem e você quer ler até o fim logo hehe.
    Ótima resenha! :)

    http://www.heyimwiththeband.com.br/

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  9. Oi, Nana

    Eu nem quis participar da LC porque essa capa não me chama nada a atenção, mas vindo do marido da Nicola eu deveria ter imaginado...
    Adoro quando entra essa pauta de tradições e ralacionamentos fakes. Para você ter uma ideia, nem sabia o que o livro abordava até ler a sua resenha. Olha aí o que uma capa feia faz... Hahahhahah
    Agora fiquei aqui morrendo de vontade, droga!

    Beijos
    -Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  10. Oi, Nana!

    Nossa, não fazia ideia sobre qual assunto se tratava esse livro, pela capa eu tinha uma impressão de ser uma obra mais adulta, sei lá haha mas achei bacana a história, fiquei bem na vontade de ler!

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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