Livro: A Segunda Morte de Suellen Rocha - Cláudia Lemes

Numa tarde em 1996, quatro adolescentes cometeram um crime impensável na mata densa da cidade de Jepiri. Nos dias atuais, Suellen Rocha é atacada e mutilada. Na parede, apenas uma palavra escrita com o sangue fresco: “Assassinas”. Agora, Mariana, Dafne e Cacau serão sugadas por um redemoinho de intrigas, política, corrupção e segredos que acharam que haviam enterrado vinte e um anos atrás, antes que uma delas seja a próxima vítima. A Segunda Morte de Suellen Rocha é o sexto romance de Cláudia Lemes. Aborda temas sensíveis como a corrupção e a influência das igrejas nas pequenas cidades brasileiras, enquanto nos apresenta personagens imperfeitos e realistas que poderiam ser nossos vizinhos. AVISO DE GATILHO: Como todos os livros da autora, A Segunda Morte de Suellen Rocha é uma obra policial violenta que toca em temas como machismo, abuso sexual, aborto e suicídio.
AVISO: A narrativa aborda alguns temas como abuso sexual, aborto, suicídio e violência doméstica.

Este mistério inicia em 1996. Quatro amigas estão reunidas no interior de uma floresta em Jepiri, uma pequena cidade fictícia - e corrupta - localizada no interior de São Paulo. Aquele era um local de lazer delas. Um Santuário. Agora se tornava um túmulo que despedaçara a bela conexão entre As Flores.

Pulamos para 2017. Desde do incidente e a promessa de nunca mais tocarem no assunto, as quatro amigas nunca mais se falaram e cada uma seguiu um rumo diferente. Mariana, Suellen e Cacau são as que decidiram ficar na cidade e tentar construir - ou seria reconstruir? - uma vida. Dafne foi aquela que deixou tudo para trás, aproveitando toda bonança que a grande herança do pai lhe proporcionou.

Mariana era dita a líder do grupo. Sua aura era confiante, invejável e desenhava um belo futuro para si. Ela chegou a se afastar de Jepiri por um tempo, pois precisava se livrar de uma mágoa passada relacionada a um amor antigo. Ao retornar, Mariana conheceu Gustavo - hoje delegado de Jepiri - e decidiram se casar. Mal sabia dos anos infernais que enfrentaria ao lado dele. Mas ela segue aguentando tudo pelas crianças. E, nesta cidade, as pessoas fingem que não veem NADA.

Cacau carrega grandes traumas relacionados aos seus últimos momentos ao lado das amigas. Seu marido deseja aumentar a família, mas ela não se vê tão preparada quanto ele. Cacau se dedica ao hospital da cidade, local onde pode estar ciente sobre alguns acontecimentos recentes das amigas que restaram na cidade. Ela foi a única que conseguiu realizar seu sonho profissional.

E assim como Cacau, Suellen Rocha também carregava grandes traumas relacionados àqueles últimos momentos ao lado das outras Flores. Mas poderia dizer que a conexão entre elas se desfez muito antes do fatídico dia no Santuário. Com todas as outras vivendo suas vidinhas - aparentemente - perfeitas de adultas, Suellen vivia isolada e, praticamente, não tinha amigos. Seu caminho era sempre da igreja para casa. Seu único momento de lazer era assistir filmes com a vizinha. Quase vinte anos após o incidente na floresta, Suellen Rocha é brutalmente assassinada dentro da própria casa.

Ao receber a notícia da morte de Suellen, a herdeira Dafne decide retornar à Jepiri. Seu maior desafeto é Mariana. As duas eram as mais unidas - até que Reno escolheu amar Mariana. Dafne nunca escondeu do rapaz o quanto sentia-se atraída por ele, embora sempre fosse ignorada. Com seu retorno, Dafne só pensa em reencontrá-lo. Apesar de ser dona de uma das fábricas locais, Dafne raramente coloca seus pés naquele lugar. Entretanto, não demora a se envolver com a papelada e descobrir a quantidade de sujeira que ronda TODA cidade. O legado de seu pai está no meio de esquemas corruptos entre algumas figuras locais - algumas bem respeitadas.

A morte de Suellen irá desenterrar toda sujeira que ronda Jepiri e seus personagens. Mas à espreita está alguém que deseja acertar as contas com o quarteto de amigas. Com o retorno de Dafne, tudo se torna um deleite para o assassino - que deseja despedaçar até a última pétala.

"- Eu não vou fingir que estou arrependida. Ele mereceu aquilo; ele merecia pior. E se alguém pegar a gente, não vai ser justo, Daf. Tem tanta gente ruim por aí. E nós não somos como elas."

Olha, dizer pra vocês que A Segunda Morte de Suellen Rocha me deixou vidrada logo na leitura da amostra. Eu sou do tipo que está sempre acumulando amostras no Kindle, e essa foi daquelas PRECISO TERMINAR AGORA. Ha! Infelizmente demorou, e muito, porque só consegui ler final do ano passado quando rolou aquela promoção bacana do Unlimited. Cês sabem que amo romances policiais, mas tenho um apreço maior quando eles pegam no type de crimes reais - daí acabam sendo mais pesados; no entanto mais realistas. Por aqui não é diferente. Pode verificar que há um alerta da própria autora na sinopse.

A vítima era uma mulher que sofria com traumas passados. Mas também sofria pelo crime que cometera na floresta ao lado das amigas e por outros feitos considerados pecaminosos aos olhos de sua família. Os pais obrigaram Suellen entrar para a igreja da comunidade e encontrar a tal salvação diante de seus erros, assim se resumiu a vida de Suellen Rocha nos últimos anos. Cacau foi a única que tentou se reaproximar algumas vezes, mas o ressentimento de Suellen era grandioso. Sério, quando descobri o significado por trás do título do livro cheguei a chorar.

Conforme o mistério avança, será assustador conhecer a índole de alguns dos moradores de Jepiri. A autora Cláudia Lemes apresenta um cenário sombrio, hostil, instigante e com aquela pitada crítica nas entrelinhas, exaltando feitios condenáveis que seus personagens cometem para saciar o ego. Como na vida real, os bons são escolhidos e condenados. Mas no caso deste livro seria 'os menos piores' - já que todo mundo aqui tem seu segredinho do mal. Pois é, até Suellen Rocha! Ha! A escrita da autora é envolvente e sabe como nos fisgar pelas pistas iniciais; as boas reviravoltas não demoram a dar as caras ao fim de cada parte.

"- Eu te amei como só as meninas amam suas amigas, Suellen. E eu nunca deveria ter me afastado por medo. Talvez até ter ido parar na prisão por sua causa teria valido a pena. E não sei quem te machucou dessa vez."

Os assuntos abordados por Lemes são polêmicos e, sim, difíceis de digerir. Uma autora que preza a descrição - seja pelas cenas sanguinárias ou as de dedo na ferida. Quem mora em cidades parecidas com Jepiri - daquelas que todo mundo ouve coisas cabeludas, até de gente da família, mas raramente é noticiado - é capaz de soltar risos de nervoso com algumas situações, como foi meu caso. Daí pode-se firmar o tom realista que me satisfez.

Além de Suellen, as outras três amigas restantes acabam por entrar na mira do assassino. Não é difícil sacar quem é a grande protagonista entre elas. A narrativa é movimentada, repleta de suspeitos, e digo que será bem difícil encontrar uma afirmação de cara. O enredo nos aproxima dos personagens com a mudança de cenário para outros pontos de vista, assim desvendando quem poderia ter um lado ainda mais sombrio para cometer tal ato. Acredito que minha maior simpatia tenha se direcionado para Reno, o bonitão da história que Dafne e Mariana são gamadas. O rapaz é jornalista, gosta de rinhas nas horas vagas para acrescentar uma grana extra, e é o que demonstra mais empatia durante a investigação. Como mencionado, o delegado Gustavo - marido de Mariana - é o próprio poço de embustice... É até difícil suspirar com as coisas que ele faz e pensa.

E falando em Mariana, eu juro que tentei criar uma boa simpatia por ela e até me senti um pouco mal por isso. A ideia é o leitor torcer para que ela se livre de toda violência do marido e sucumba a esperada reviravolta heroica, mas da minha parte só desejei seu bem-estar. Dafne tem uma postura melhor diante dos acontecimentos, soa mais madura, apesar de sua construção não apelar pelo carisma do leitor. Entretanto, não apreciei o fato que o confronto com o outro embuste - do passado da Suellen - tenha sido tirado delas.

"- Eu nunca fui feliz na vida adulta como eu era com vocês. A ausência de vocês na minha vida foi tão forte que ela ofuscou meus poucos momentos de felicidade."

Amantes do estilo - principalmente os loucos por podcasts de crimes reais - não podem deixar de conhecer A Segunda Morte de Suellen Rocha e os vários mistérios que rondam a cidade de Jepiri. Críticas sociais e políticas são pertinentes nas linhas de Cláudia Lemes; seus personagens não vivem para clamar nosso amor, mas para nos instigar até suas últimas páginas. A conclusão apresenta embates esperados, mas com certa correria. O epílogo garante o ar puro e saboroso após a tempestade, mas senti falta de algumas informações. E o que acontece em Jepiri, fica em Jepiri.

Edição lida em e-book. Minha primeira experiência com a editora AVEC e apreciei muito o trabalho e organização - optaram por algo mais simples na diagramação e entregando ótima qualidade na revisão. A capa entrega a mensagem sem exageros, com um símbolo da história - os aspectos da floresta. Minha segunda experiência com a autora, a primeira foi um continho com uma pegada mais light, e mal posso esperar para retornar ao seu catálogo novamente.

Até o momento da publicação da postagem: e-book disponível no Kindle Unlimited (caso não esteja, você pode encontrar outros e-books da autora e da editora disponíveis para emprestar)


Autora: Cláudia Lemes
Origem: Literatura Brasileira
Editora: AVEC
ISBN: 9786586099003
Publicação: 2020
Páginas: 315
Série: Não
O Que Tem? Mistério, Investigação, Corrupção, Violência, Cidade Cheia de Podres, Floresta, Ex-Amigas, Rinha de Macho

10 COMENTÁRIOS

  1. Oie, ainda não conhecia a obra e gosto de leituras que abordam política e trazem críticas. Nunca li nada da editora, mas fiquei atenta por estar disponível no kU.

    Bjs

    Imersão Literária

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  2. Olá, Nana.
    Eu já estava curiosa com esse livro porque gosto bastante da escrita da Cláudia, mas agora lendo sua resenha preciso dele para ontem. Porque a curiosidade bateu forte aqui hehe. Já corri colocar ele no meu KU que peguei de novo aquela promoção de 3 meses por 1,99 hehe.

    Prefácio

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  3. Oi Nana! Eu estou sem assinatura do KU no momento e este livro eu não consegui terminar de ler, mas até onde conferir, gostei bastante. Quero terminar a leitura. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  4. Oi, Nana! Tudo bom?
    Sofrendo pois esse livro estava na minha lista de próximas leituras e meu KU acabou D: espero que na black friday role outra promo de 3 meses pois sobrevivo dela UHSAUHSAUHSAUHSAUH
    Eu amo a escrita da Cláudia e vivo pelas histórias dela! Eu Vejo Kate é um dos meus thrillers favoritos DA VIDA.

    Beijos, Nizz.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  5. Oi Nana, quer dizer que existe vicio em amostras do Kindle kkkkkkkkk adorei!! Parece um excelente mistério mesmo!!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  6. Menina, não conhecia esse livro ainda ,mas agora estou louca para ler! Tem tudo para que eu fique vidrada , assim como você ficou.Ja vou colocar na lista dos desejados.
    Algum diq eu vou assinar o KU e ler todos os livros que desejo ler por lá.Eu só não assinei ainda , porque tenho tanto ebook gratuito que pego depois fico enrolando para ler porque priorizo outras leituras , se eu assinar o Unlimited vai ser mais um obstaculo parq que eu leia meus ebooks encalhados haha.
    Amei sua resenha

    Beijos
    https://mundinhoquaseperfeito.blogspot.com

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  7. Eitaaa parece ser um livro bem pesado...
    Acho que eu não iria ler...
    Mas a resenha tá ótima!
    Arrasou Nana! :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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  8. Oi Nana,

    Lendo sua resenha essa história daria uma boa série ou filme rs.
    Não sou muito de ler o gênero, mas realmente fiquei curiosa com todo esse mistério rs.
    Se eu conseguir uma promoção eu adquiro o e-book.

    Bjs
    https://diariodoslivrosblog.blogspot.com/

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  9. Não é um tipo de leitura que eu faça. Esse negócio de crimes mexe com meu psicológico kkkkk.
    Mas adorei saber sua opinião sobre a experiência de leitura :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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  10. Amei a resenha. Terminei de ler sentindo que eu devia começar a ler esse livro agora mesmo. Essa história parece muito envolvente.
    beijos
    https://www.dearlytay.com.br/

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Olá, sejam bem vindxs :D
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